Diário #3 - Qual é o caminho certo para o Behestia?
- Inês Viana
- 30 de mar.
- 3 min de leitura
A ideia original do Behestia nasceu para espaços de trabalho.
É o meio onde me especializei, onde faço consultoria, onde conheço os problemas intimamente. É também onde está a maior parte da ciência que sustenta esta ideia; os estudos sobre qualidade do ar, cognição, bem-estar, foram feitos maioritariamente em contexto de ambientes de trabalho.
O espaço de trabalho era, na minha mente, o ponto de partida óbvio.
No entanto, ao longo do processo, ao tentar encaixá-la nos espaços de escritório como existem hoje, a ideia foi-se desfazendo. A saúde saiu. O bem-estar ficou em segundo plano.
O foco desviou-se para métricas ambientais, compliance, legislativas europeias. Coisas importantes, mas que não eram o que eu queria construir. Quando olhei para o que tinha nas mãos, já não reconhecia a ideia inicial.
E isto abriu uma nova questão. E se o Behestia (ainda) não for para espaços de trabalho?
Um ginásio vende saúde e performance. Mas o próprio espaço não mede absolutamente nada. As pessoas chegam com os seus Apple Watch, WHOOP, Oura Rings, Garmin, a monitorizar tudo - frequência cardíaca, calorias, VO₂ max - mas o ambiente onde estão a fazer esforço físico fica esquecido. O ar, a temperatura, a humidade durante o treino.
E acreditem que há ginásios, demasiados ginásios, com problemas de humidade, cheios de mofo. É o contra senso total: vais para um sítio melhorar a tua saúde, e estás literalmente a abrir o pulmão ao máximo num dos ambientes interiores menos saudáveis que frequentas.
Um spa controla temperatura e humidade por intuição e experiência acumulada. Sabe que a sauna deve estar a X graus, que a sala de relaxamento precisa de determinadas condições. Mas não tem dados que confirmem se essas condições estão realmente a funcionar como deviam, se estão alinhadas com o propósito de regeneração que vende.
Um hotel cinco estrelas cobra centenas de euros pela experiência. Mas não tem forma de garantir que o quarto 312 tem as condições para que o hóspede descanse como promete no website.
E depois temos as nossas casas.
Think of everything you do to lead a healthy lifestyle. You may pay attention to what you eat and how much you exercise. But have you ever seriously given much thought to the one place in the world where you spend 1/3 of your life?
Passamos 1/3 da nossa vida no quarto... 35% dos adultos reportam sono insuficiente... Mas quantos alguma vez mediram a qualidade do ar do quarto onde tentam dormir? Corpos fechados durante oito horas, CO₂ a acumular, humidade, ventilação zero. É o espaço onde vais para recuperar, e é onde as condições ambientais podem estar piores.
Isto fez-me pensar na história do WHOOP. Não começaram a tentar convencer tudo e todos de que monitorizar saúde fazia sentido. Focaram-se em atletas, pessoas que já estavam focadas na sua performance, recuperação, nos dados do seu próprio corpo. E só depois expandiram para todos nós que queremos otimizar como dormimos, como recuperamos, como treinamos.
O mercado certo não é necessariamente o maior. É o que já está pronto para a conversa. E nestes espaços - ginásio, spa, hotel, casa - o ambiente como fator de saúde e bem-estar não são uma conversa de futuro. Já são parte da premissa.
O Behestia pode chegar aos escritórios. Acredito que chegará. Mas talvez o caminho seja por aqui primeiro, por espaços que já dizem "este ambiente foi pensado para a tua saúde".
Assim, o Behestia tem como objetivo tornar-se o WHOOP para os edifícios. Para os 90% da vida que vivemos dentro de espaços. Para o que ninguém estava a prestar atenção até agora.
Se isto vai ser possível de formalizar eu não sei. Se é uma ideia demasiado (ou pouco) ambiciosa também não tenho noção. Mas é algo que genuinamente me entusiasma.
Espero no próximo diário partilhar um pouco mais sobre as métricas que estou a pensar incorporar, e sobre a jornada de criar um MVP (produto mínimo viável) usando AI. Sim, tenho-me divertido nos bastidores a pensar, criar, explorar e quero partilhar tudo por aqui.


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