top of page

Diário #2 - Behestia: O caminho até hoje

  • Foto do escritor: Inês Viana
    Inês Viana
  • 16 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 27 de mar.

No diário anterior escrevi sobre o porquê. Hoje quero escrever sobre o caminho até aqui.


A ideia de construir um Building Doctor não tem uma semana, nem meses, tem, na verdade, anos. No meu primeiro contacto com a NeuroArquitetura e a Psicologia Ambiental eu sabia que havia algo ali para mim. E esse algo levou-me a entrar num PhD: uma vontade de perceber mais sobre o impacto do ambiente construído no ser humano, de querer explorar mais.


No entanto, esse PhD nunca se concluiu. Foi um ano de investigação, leitura, conversas, para perceber que o caminho não era por ali, que o formato não era aquele.


Desde então, essa ideia ficou dormente. Fui acumulando mais conhecimento, mais fontes, mais perguntas, mais conexões. Antes de existir um conceito com forma, existiram muitos ficheiros de Excel, mapas de ideias, brainstormings, folhas coladas nas paredes.


O que seria isto? Para quem? Que métricas estamos a medir? É uma consultoria, uma app, uma investigação académica? Onde andam as certificações? As legislações que nos falam disto?


Vieram comparações com o que já existe no mercado: o que andam a fazer, como medem, o que medem, e porquê.


Foram vários planos, vários conceitos, vários nomes. Mas o conceito sempre teve um fio condutor, uma frase que me impactou desde o primeiro momento:


Building Engineers and Facilities Managers are true heroes of our health. The people who manage your building have a greater impact on your health than your doctor.

E porquê? Passamos 90% do nosso tempo dentro de edifícios. Há quem nos considere uma espécie interior. Sabemos, pela neurociência, pela psicologia ambiental e até pela epigenética ambiental, que o ambiente que nos rodeia impacta grandemente a nossa saúde. Então porque não pensamos, construímos e mantemos os edifícios em alinhamento com esse saber?


O conceito do Building Doctor surgiu daqui: do edifício como um ponto de proximidade, com grande influência na nossa saúde e bem-estar, com métricas e um pulsar que pode ser medido e transformado em informação útil sobre a qual podemos atuar.


Da qualidade do ar e da água, ao conforto térmico, acústico e iluminação, tudo isto são métricas que podem ser medidas e que foram estudadas como tendo impacto real.


A ciência que sustenta a ideia


Sabiam que ocupantes em edifícios com boa qualidade do ar interior tiveram scores cognitivos até 101% mais altos do que em edifícios convencionais? É o que mostra o COGfx Study da Harvard T.H. Chan School of Public Health - um dos estudos mais citados na área.


Ou que trabalhadores em edifícios com certificação ambiental reportam 26% mais função cognitiva e 30% menos dores de cabeça? É o que concluiu o World Green Building Council em 2014.


E ainda: níveis de CO₂ acima de 1.000 ppm, comuns em salas de reunião cheias, já afetam significativamente a tomada de decisão. Satish et al. (2012) demonstraram isso em condições controladas. O ar que respiramos dentro de um edifício não é neutro. Nunca foi.


O Building Doctor agora tem um nome: Behestia.


Héstia era a deusa do lar, do fogo doméstico, do espaço que acolhe. Não a mais famosa do Olimpo, mas talvez a mais essencial. Sem ela, não há casa. Sem qualidade do ambiente interior, não há espaço que funcione de verdade.


Estes anos serviram para perceber o que a Behestia quer ser: não mais um dashboard de métricas, mas uma plataforma que transforma dados em prescrições. Que diz ao gestor o que fazer, não só o que está a acontecer. Que dá ao ocupante uma linguagem para perceber porque é que às 15h o foco desaparece.


A ideia maturou. Os planos existem.


O Diário #1 chegou num momento de ação, quando a construção começa, mas o trabalho já tinha iniciado há muito. Este é esse antes.



 
 
 

Comentários


bottom of page